Neste devocional, vamos aprender como vencer a preocupação com dinheiro à luz de Mateus 6:34, trocando a ansiedade pela confiança na provisão diária de Deus.
“Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal.”
Mateus 6:34
✝️ Reflexão Bíblica sobre a Preocupação com Dinheiro
Fui ao supermercado ontem e, ao passar pelo caixa, ouvi a mulher na minha frente suspirar fundo enquanto via o total da compra: R$ 487,00. Ela olhou para as sacolas, depois para o cartão, e murmurou algo que muitos brasileiros têm repetido em 2026: “Não sei como vou fechar o mês.” Saí de lá pensando quantas vezes eu mesmo já tive esse pensamento, quantas madrugadas passei acordado fazendo contas mentais, tentando encaixar despesas que simplesmente não cabem no orçamento.
A preocupação com dinheiro não é frescura espiritual nem falta de fé — é uma realidade concreta que atinge milhões de cristãos brasileiros. Contas de luz estratosféricas, aluguel que consome metade do salário, parcelas de cartão que parecem se multiplicar, remédios cada vez mais caros, e aquela sensação permanente de estar sempre um passo atrás, correndo atrás do prejuízo. É exaustivo. E o pior: muitas igrejas tratam esse tema com simplismos perigosos, como se a solução fosse apenas “ter mais fé” ou “dar o dízimo que Deus abre as janelas dos céus”.
Mas Jesus não ignorou a realidade financeira. Ele dedicou uma parte significativa de Seus ensinamentos a questões de dinheiro, trabalho e preocupação material — não porque seja o mais importante, mas porque Ele sabia que nada rouba mais a paz humana do que a incerteza sobre o amanhã. O Sermão do Monte, onde encontramos nosso versículo de hoje, é talvez o texto mais prático e ao mesmo tempo mais desafiador sobre preocupação que já foi escrito.
A palavra grega que Jesus usa e que é traduzida como “não se preocupem” é merimnaō, que literalmente significa “ser puxado em direções diferentes”, “ter a mente dividida”, “estar distraído com aflição”. Não é uma proibição de planejamento ou responsabilidade — Paulo diz em 1 Timóteo 5:8 que quem não cuida da própria casa é pior que um descrente. Jesus não está proibindo o planejamento (isso é bíblico), mas atacando a preocupação com dinheiro que nos paralisa.
O contexto cultural aqui é fundamental. Jesus estava falando para pessoas que viviam literalmente no dia a dia — trabalhadores braçais, pescadores, agricultores que não tinham segurança financeira alguma. Se não trabalhassem hoje, não comeriam amanhã. E mesmo assim Jesus diz: não se preocupem com o amanhã. Isso não é uma romantização da pobreza nem uma teologia da miséria que alguns pregam. É um convite radical para confiar em Deus sem abrir mão da responsabilidade. Como já vimos no estudo sobre [Deus e o dinheiro em Mateus 6:24], não podemos servir a dois senhores, e a preocupação excessiva é uma forma de escravidão.
A maior armadilha da preocupação financeira é que ela nos faz acreditar em duas mentiras simultâneas. A primeira: “Se eu conseguir mais dinheiro, terei paz.” A segunda: “Se eu não tiver mais dinheiro, estarei perdido.” Ambas colocam o dinheiro no lugar de Deus. A verdade bíblica é que provisão não vem de salário, conta bancária ou investimento — essas são ferramentas que Deus pode usar, mas a fonte é Ele mesmo.
Veja o exemplo dos israelitas no deserto. Deus mandava maná todos os dias, mas com uma regra: só podiam coletar o suficiente para aquele dia. Quem tentou guardar para o dia seguinte por insegurança viu o maná apodrecer. Deus estava ensinando uma lição dolorosa: dependência diária. Não é que Deus queira que vivamos na incerteza por prazer sádico — é que Ele sabe que prosperidade sem dependência gera arrogância, e que segurança material demais nos faz esquecer de quem realmente sustenta tudo.
Aqui está a parte que muitos pregadores da prosperidade odeiam: Jesus nunca prometeu que seguir a Deus significa ter conta bancária cheia. Paulo escreveu Filipenses — a carta da alegria — enquanto estava preso, sem salário, dependendo de ofertas de irmãos. E foi exatamente nessa condição que ele disse: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito ou passando necessidade” (Filipenses 4:11-12).
Mas atenção: contentamento não é conformismo. Não é pecado querer prosperar, trabalhar duro, buscar um emprego melhor, empreender, estudar para crescer profissionalmente. O problema é quando isso vira obsessão, quando perdemos o sono, quando sacrificamos relacionamentos, saúde e tempo com Deus na corrida infinita por segurança financeira que nunca chega.
No Brasil de 2026, onde a desigualdade social é gritante e o custo de vida não para de subir, precisamos de uma teologia bíblica sobre dinheiro que seja ao mesmo tempo realista e cheia de fé. Realista porque reconhece que falta dinheiro dói, que conta atrasada gera juros reais, que desemprego é uma crise legítima. Mas cheia de fé porque confia que Deus, que alimenta os pássaros que não plantam nem colhem, não abandonará Seus filhos.
Aqui está o que mudou minha perspectiva sobre preocupação financeira: Deus não prometeu que nunca passaríamos necessidade, mas prometeu que nunca passaríamos por ela sozinhos. Ele não garantiu fartura constante, mas garantiu provisão suficiente. A promessa não é de riqueza, mas de Sua presença sustentadora em qualquer condição econômica que enfrentemos.
Jesus termina o versículo dizendo: “Basta a cada dia o seu próprio mal.” É quase como se Ele estivesse dizendo: “Você já tem problemas reais suficientes hoje — por que adicionar os problemas imaginários de amanhã?” A preocupação financeira nos faz viver mentalmente em cenários que talvez nunca aconteçam, perdendo a oportunidade de confiar em Deus hoje, nesta segunda-feira de janeiro, com as contas reais que temos agora.
🌱 Vivendo uma fé prática no dia a dia
- Faça uma “Lista de Preocupações Reais”: Pegue papel e caneta (ou bloco de notas do celular) e escreva todas as preocupações financeiras específicas que estão tirando seu sono. Seja detalhista: “Conta de luz de R$ 350,00 vence dia 10”, “Preciso de R$ 1.200 para o aluguel dia 5”, “Dívida do cartão de R$ 2.800”. Agora separe em duas colunas: “O que posso fazer hoje sobre isso” e “O que só Deus pode resolver”. A preocupação com dinheiro diminui quando organizamos o caos mental. Ajo no que é possível, oro pelo impossível. Ore especificamente sobre ambas as colunas, mas tome ação apenas na primeira.
- Pratique gratidão financeira concreta: Antes de dormir hoje, agradeça a Deus por três provisões concretas que você teve esta semana. Não vale generalizar (“obrigado pela provisão”). Seja específico: “obrigado porque consegui comprar arroz e feijão”, “obrigado porque o dinheiro da freela entrou a tempo”, “obrigado porque o vizinho me deu os tomates”. Isso treina seus olhos para ver a mão de Deus onde a preocupação só vê falta.
- Estabeleça um “Dia do Descanso Mental”: Escolha um dia desta semana (pode ser hoje) onde você deliberadamente se recusa a fazer contas, checar saldo bancário, ou conversar sobre dinheiro. Toda vez que a preocupação financeira invadir sua mente, ore uma oração rápida: “Deus, eu entrego isso a Ti agora. Basta a cada dia o seu próprio mal.” Isso não é irresponsabilidade — é treinar sua mente a descansar em Deus.
🙏 Para orar
Senhor Deus,
Confesso que a preocupação financeira tem roubado minha paz. Eu vejo as contas, olho para o futuro, e o medo aperta meu peito. Perdoa-me por, tantas vezes, confiar mais no dinheiro do que em Ti. Sei que Tu alimentas os pássaros e vestes os lírios, e que eu sou infinitamente mais valioso para Ti do que eles. Ajuda-me a viver um dia de cada vez, a fazer minha parte com responsabilidade, mas a descansar na certeza de que Tu és meu sustento verdadeiro. Quando a conta apertar, que eu busque Tua face antes de buscar soluções desesperadas. Ensina-me o equilíbrio entre trabalhar com diligência e descansar com fé. Que minha segurança esteja em Ti, não no saldo bancário.
Em nome de Jesus, meu provedor, amém.
